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ENTREVISTA
Prof.
Walter Martins Leite(*)
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Desde os tempos dos nossos avós, presentear
com uma jóia era sinônimo de elegância, poder e bom
gosto. Porém, já naquele tempo, havia comerciantes que
traziam no seu acervo jóias e pedras preciosas
adquiridas no Velho Mundo (Europa) para promoverem na
alta sociedade local, os elegantes designers e estilos
"in voga" da época, sem desconfiarem que
poderiam estar comercializando gemas sintéticas ou
imitações . Veja a entrevista com um dos maiores
gemólogos do Brasil Prof. Walter Martins
Leite, que desenvolve um trabalho de Assessoria
e Consultoria Gemológica - Avaliação e Certificação
de Jóias e Pedras Preciosas desde 1955, direcionado ao
segmento joalheiro, Bancos Comerciais, Cias. Seguradoras,
litígios judiciais, e que a cada dia, torna-se mais
requisitado pelo público em geral. As pesquisas indicam
que o maior problema encontrado na maioria dos casos de
desilusões sobre os valores das jóias e pedras
preciosas herdadas, adquiridas ou presenteadas, resume-se
à "fonte" de aquisição, ou seja, onde você
adquiriu o produto. Muitas vezes se compra de uma fonte
absolutamente segura, onde o fornecedor é de confiança,
mas este, por uma razão ou outra, não teve o cuidado ou
o conhecimento técnico para saber se seu fornecedor
(atacadista) comprou de outra fonte igualmente segura.
Daí, em diante, é uma sucessão de repasses que quem
"paga o pato", geralmente, é o consumidor
final.
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É verdade que o homem já
conseguiu reproduzir em laboratório o rubi e o
"diamante sintético?
Sim, é verdade. O Rubi já é fabricado em laboratório
desde o final dos anos de 1800. Já o diamante
sintético, foi reproduzido há algumas décadas, porém
apenas em qualidade industrial para utilização na
fabricação de brocas, lixas e etc. Mas, nos últimos 5
anos, tivemos notícia que uma empresa americana junto
com uma japonesa reproduziram o diamante
"gema", ou seja, similar àquele que nós
estamos acostumados a ver nas vitrines das joalherias.
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Então existe o risco do
mercado estar infestado de " rubis e diamantes
sintéticos"?
Infestado, eu acredito que não, pois hoje em dia os
joalheiros tem muito mais informados do no tempos das
nossas avós; porém, o risco sempre existe. Sobre os
diamantes sintéticos, especificamente falando, tivemos
notícias colhidas do último International Gemological
Symposium, realizado em San Diego, que este material, é
apenas utilizado para estudos e desenvolvimentos
científico-tecnoloógicos. Já não posso dizer o mesmo
das gemas de cor: Rubis, Safiras, Esmeraldas, dentre
outras. Os corindons sintéticos (rubis e safiras), por
exemplo, são fabricados e comercializados no mercado do
mundo todo, desde os meados do século XIX. E hoje, o
desenvolvimento da tecnologia usada para fabricação
destas "gemas" é assustadoramente high-tech,
dificultando cada vez mais o nosso trabalho de
separação do joio do trigo.
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Qual é a imitação mais
perfeita do diamante que se encontra no mercado?
Nos últimos anos, devido à recessão econômica e ao
grande desenvolvimento tecnológico, algumas empresas
internacionais conseguem reproduzir quase com perfeição
as gemas naturais. Na última década, a Zircônia
Cúbica foi o terror dos joalheiros em todo o mundo.
Porém, os cientistas elaboraram um instrumento capaz de
separá-la do diamante. A partir daí, a Zircônia deixou
de ser um "bicho-papão" para os gemólogos e
joalheiros mais estudiosos. Entretanto, há 2 anos surgiu
um outro material sintético para confundir o mercado
ainda mais: a Moissanita. Para quem não têm o
conhecimento e a prática do setor joalheiro/gemológico,
pode ser facilmente adquirida como Diamante.
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(*)Prof. Walter Martins
Leite, graduado pelo G.I.A.(Gemological
Institute of America), membro Senior da N.A.J.A.(The
National Association of Jewelry Appraisers) e da
A.G.A.(Accreditted Gemologists Association), Diretor e
Coordenador dos laboratórios gemológicos do IBGM e
Professor dos cursos de gemologia da AJORIO (Associação
dos Joalheiros do RJ)
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