PORTO ALEGRE - 05/05/1998 » A partir de
estudos realizados nos últimos 19 dias e concluídos
ontem, cientistas de todo o mundo poderão saber dentro
de duas semanas se uma estrela, a BPM 37093, do tamanho
da Terra, é feita mesmo de um único diamante (cristal de
carbono contaminado com oxigênio), conforme acredita seu
descobridor, o astrônomo baiano Kepler de Oliveira
Filho. "Seria o maior diamante do universo".
Chefe do Departamento de Astronomia do
Instituto de Física da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS), Kepler informou que a estrela
está situada na Constelação do Centauro, a 17 mil
anos-luz da Terra. Ele fez a descoberta junto com dois
alunos (atuais professores nas universidades de Santa
Maria e Caxias do Sul) Antônio Kanaan e Odilon
Giovannini, em 1991, e sob observação, desde então, de
astrônomos de 13 países, reunidos numa entidade,
presidida pelo próprio Kepler.
Essa BPM 37093 é uma estrela anã branca,
núcleo de grandes massas que implodem e cuja "densidade
média, altíssima, é 20 mil vezes maior do que a platina,
o objeto mais denso da Terra", contou Kepler. As
estrelas anãs são "as mais velhas da nossa galáxia" e
seu estudo, como no caso da BPM 37093, visa ajudar os
cientistas a obterem "informações sobre a teoria de
evolução das estrelas, que vai levar a determinar a
idade de nossa galáxia e, em conseqüência, do
universo".
A estrela BPM 37093, conforme estudos
dos cientistas, se transformou num único e enorme
cristal de carbono com oxigênio, ou seja, virou um
diamante do tamanho aproximado da Terra.
Foi aquele mesmo grupo de cientistas que
decidiu fazer uma pesquisa intensiva da estrela desde o
dia 16 de abril, com uso de telescópios do Chile, África
do Sul, Austrália e Nova Zelândia, para comprovar
tratar-se mesmo de um diamante único, ou não.
A estrela sob observação tem densidade
aproximada de 4 milhões de gramas por centímetro cúbico
e temperatura mais quente que o Sol, variando de 12 mil
a 12,5 mil graus centígrados.
"Há um estudo das variações das ondas de
luz emitidas pelas estrelas pelas quais se analisa o
interior dos astros. Não é possível ver diretamente o
interior das estrelas, ocultado por sua atmosfera. Pode
haver outras estrelas compostas de diamante, mas essa é
a única que se conhece", afirmou Kepler.
Fonte: Jornal do Commercio - Recife, 05 de maio de 1998 (versão online)