maio / 2004
Nesta primeira semana de
maio, tivemos um dia histórico para a União Européia.
Acabam de compor a nova UE mais 10 países, aumentando o
número de participantes para 25. A partir de agora, na
quinta e maior ampliação desde 1951, quando o bloco
começou a ser formado, Chipre, Eslováquia,
Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia,
Malta, Polônia e República Checa passam a fazer parte
do grupo que, até então tinha 15 países-membros.
Estes
novos sócios acrescentarão ao PIB da UE cerca de 404
bilhões de Euros, correspondendo a 5% do que era
até esta ampliação. Estes novos membros têm renda per
capita equivalente a cerca de 50% da média da
UE-15, mas quem não se lembra quando Portugal e
Espanha, com renda bem inferior aos demais, entraram
para a UE, atingindo atualmente um nível de
desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida de suas
populações que em pouco tempo se igualará? Estima-se
que em duas décadas os novos membros da UE terão renda
per capita equivalente aos demais países do bloco.
Sob o ponto de vista
político, a UE-25 junta, sob o mesmo guarda-chuva,
os antigos parceiros do ex-bloco comunista. Com a
ampliação do bloco, as negociações do acordo de
livre comércio que tentam Mercosul e UE tendem
a se complicar, pois agora outros interesses entram em
jogo, já que no meio se encontram alguns países em
desenvolvimento. A economia da Polônia, por
exemplo, conta com 20% de sua população na área
agrícola. Junta-se agora à França, que é reticente à
liberalização agrícola européia.
Sob uma análise
macroeconômica, o acordo Mercosul-UE resultará em
uma ampliação da base de consumidores para os produtos
brasileiros. Os consumidores da UE-25 crescerão em
80 milhões de pessoas, totalizando cerca de 450
milhões. De outro lado, a união destes países também
resultará na melhoria industrial dos novos membros,
acirrando a competição. Os novos membros ainda não
adotarão o Euro, pois serão necessários ajustes
preliminares.
Também não terão
o direito de trabalharem e viverem na Europa Ocidental, o
que hoje é permitido entre os países da UE-15.
Entretanto, adotarão tarifas externas e regras
comerciais comuns, o que facilitará ao Brasil a
realização de negócios de exportação.
Para o setor joalheiro,
abrem-se novos mercados, com regras mais flexíveis
e possíveis de serem cumpridas, pois a UE já é velha
conhecida dos brasileiros, no que se refere ao comércio
internacional. Logicamente existem, nestes países,
principalmente por causa de sua baixa renda per capita, a
fabricação de produtos com baixo custo.
Entretanto, o Brasil tem, a seu favor, a
criatividade e a formação de tendências no setor
joalheiro, com a apresentação de artigos
inovadores e arrojados, pela competência
de suas empresas e designers.
Se é fato que
encontraremos algumas dificuldades iniciais, também é
certo que, com o tempo, a União Européia se tornará o maior comprador brasileiro, talvez
superando os Estados Unidos e China. Não só pelo
aumento do número de consumidores, mas também pela
antiga carência de acesso a mercados, estes novos
consumidores estarão buscando novos fornecedores e
produtos diferenciados, abrindo enormes possibilidades de
expansão comercial a empresas exportadoras brasileiras.
O tempo dirá se minhas previsões se concretizarão.
A propósito, somente a
título de informação, estão incluídos a partir de
03/05/2004 na lista dos países participantes do Sistema
de Certificação do Processo Kimberley a República
Checa e Cingapura.
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