Tempos difíceis,
guerra sem estratégias. Não falo somente da Guerra EUA
x Iraque, mas também da guerra do mercado retraído,
impulsionado pelas incertezas econômicas mundiais.
A tenacidade dos
norte-americanos, causada não por medo de futuros
ataques terroristas ou da derrubada do ditador Saddam
Hussein, mas certamente por interesses financeiros no
controle do fornecimento de petróleo do Oriente Médio,
passou por cima da suprema decisão da ONU, negativas de
apoio de Governos de diversos países, sem falar das
manifestações pela paz espalhadas por todo o mundo. Mr.
Bush e Mr. Blair já admitiram que não esperavam
encontrar dificuldades, mas que não será fácil sua
empreitada.
Baseado nessas
considerações, podemos concluir que haverá a
necessidade de preparação para outra guerra, a que se
seguirá no campo comercial. Gostaria de me ater a uma
análise sobre efeitos do duelo militar no comércio
mundial, e mais particularmente nos EUA, nosso maior
mercado consumidor no exterior.
Há uma expectativa
ansiosa a respeito dos resultados da Feira de Basel, na
Suíça, que se inicia esta semana. Primeiramente, por
conhecimento do mercado europeu, tenho a convicção de
que a divisão da feira em duas cidades diferentes, Basel
e Zurique, trará também a redução dos visitantes, já
que nem todos estarão dispostos a se dividir entre dois
locais diferentes de exposição, devo torcer para que eu
esteja errado. Se também considerarmos o fato de que as
grandes, tradicionais e antigas empresas expositoras
permanecerão todas em Basel, serão poucos que se
atreverão em "perder" seu tempo indo a
Zurique, quanto mais se considerarmos o aspecto
tradicional do comprador europeu. Segundo, não se sabe
como a guerra está afetando as economias européias, já
que existem aliados deste continente e até boicotes a
produtos norte-americanos e vice-versa. Isto pode ampliar
nossa base de clientes, como também estancar o mercado
em geral.
Por sua vez, no final do
próximo mês de maio, na JCK Las Vegas, nos EUA, com a
mudança do pavilhão brasileiro de um salão isolado
para o Grand Hall da feira, há uma grande possibilidade
de sucesso das empresas expositoras. Analisando-se
atualmente o mercado americano pelo aspecto da guerra com
o Iraque, podemos encontrá-lo extremamente
desabastecido, devido ao enorme período de tempo em que
se especulou sobre a possibilidade da invasão ocorrer,
gerando incertezas em toda a população. Também se
avaliarmos os boicotes a certos produtos europeus de
determinadas origens, poderemos nos beneficiar em nossas
exportações. Ainda não se sabe o que o futuro reserva
para o mercado norte-americano, mas com um custo de US$75
bilhões por mês com a guerra e com um corte de gastos
com a área social, recentemente alardeado pelo Governo
dos Estados Unidos, logicamente haverá algum efeito no
pós-guerra, qualquer que seja seu resultado.
Com estas
considerações, logicamente o mercado será afetado de
uma maneira geral, mas o povo norte-americano não
deixará de consumir, pois sempre foram excelentes
compradores de tudo (devemos lembrar que são os maiores
defensores do capitalismo). O que devemos analisar é que
tipo de produto e de que forma passarão a consumir.
Talvez seja hora de rever estratégias, se preparar para
outra guerra, a do mercado. Logicamente não somos os
únicos vendedores de produtos para os Estados Unidos.
Assim, haverá um movimento de revisão de valores por
parte do consumidor e de planejamento de novas
estratégias por parte dos vendedores. Hora de se
preparar para as próximas batalhas. Aquela com o
mercado, muito mais difícil que uma ação militar.
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