O novo conceito de
produto provavelmente não está claro ao setor, e assim
todos os pontos até aqui analisados dificilmente serão
observados pelas empresas (indústria e varejo) e,
principalmente, a cadeia produtiva sofre e sofrerá ainda
por algum tempo, até que ela própria, ou pelo
sofrimento ou por sua educação, possa vir a desenhar
seu novo modelo.
O conceito de produto,
não pode apenas ser visto como uma transformação de
ouro, pedras e outros materiais em jóias, mas quero crer
que deva também observar conceitos na análise
psicológica. O pesquisador e escritor Alvin Toffler
(1980) relata o surgimento da Primeira Onda há
10 mil anos, com a descoberta da agricultura. A Segunda
Onda estabeleceu há 300 anos o desenvolvimento
da produção em massa, e assim ocorreu a
revolução industrial, e agora com a Terceira Onda
vamos ter que lidar com o ser humano, que não só
necessita de alimentos e produtos, mas de qualidade de
vida.

Velho
Modelo
|

Novo
Modelo
|
O nosso
modelo atual setorial, basicamente na Segunda Onda
sofrerá um grande impacto, e provavelmente no atual e
futuro cenário, algumas empresas não sobrevivam
utilizando as regras do passado. É necessário
urgentemente desenharmos um novo modelo ao setor
joalheiro como um todo, senão toda a cadeia produtiva
estará comprometida, e nossos concorrentes agradecerão.
Este novo formato exige um arrojado desenho, onde o
cliente não mais apenas aguarde um novo produto, e nem
tão pouco solicite apenas novidades, mas sim interaja
com o processo.
Cenários desafiadores
estão todos os dias na mídia, basta apenas saber fazer
uma leitura para identificá-los, e assim aqui como em
outros paises, estamos vivendo períodos de mudanças
estruturais e ainda conflitantes, pois no âmbito
político grandes indecisões cercarão o governo atual
até o final de seu mandato. As dificuldades no poder de
compra - ocasionado pela acomodação das classes sociais
(próximos 10 anos) e as novas necessidades das pessoas
por outros valores - deixam as empresas querendo utilizar
respostas do passado aos problemas atuais, apenas
porque deram certo. Porém os novos desafios são
presentes e diferentes.
Instaurado o conflito
atual de identidade em um cenário anterior confortável,
as empresas que não possuem um modelo definido de
estratégias, fazem uso do velho modelo de
investimentos em projetos de vendas, comuns ao
setor. O frenesi da produção desenfreada de novos
modelos, em uma canibalização (semestral) interna e,
por parte do mercado, com pseudos novos produtos
(criações) vão e voltam sem controle no significado do
conceito pesquisa ou tendência, somada a produção de
peças com teor adulterado na sobrevivência de pequenas
empresas, e assim a informalidade do setor se faz
presente e marca o ciclo com sua cruel realidade.
Neste ponto tenho uma
visão muito clara da situação do setor, diante do
cenário atual e futuro, tanto que já estou posicionando
meus clientes para os fatos. O modelo atual da
cadeia produtiva é totalmente próprio e interno, com
pouca terceirização (profissional) interativa, onde
competências não são destacadas e, por conseqüência,
geram produtos de média e razoável aceitação, criando
ciclos de curta duração, mesmo com todo o investimento
realizado em design. Talvez melhor do que
criar novos produtos, sem uma avaliação correta
dos fatos ou mirabolantes ações de venda, seja a
necessidade de um novo desenho em vender serviços, onde
o mais importante seja rever nossas empresas e
nossos métodos de gestão, identificando realmente qual
seu modelo e que objetivos de resultados as mesmas têm.

Para poder entender
melhor o que venha a ser o conceito do novo produto,
quero citar a teoria de Abraham H. Maslow (1965),
que identificou a necessidades básicas de um ser humano,
e com base em sua teoria quero fazer um paralelo em como
as organizações inteligentes desenvolvem seus produtos.
Na teoria de Maslow, as necessidades psicológicas
organizam-se hierarquicamente: só se tem uma motivação
em determinado nível - e se as dos níveis
anteriores se encontrarem satisfeitas. Quanto mais se
sobe na pirâmide, mais as motivações são específicas
do Homem e menor é o número de pessoas que as sentem.
Com a observação das
necessidades do ser humano, podemos desenvolver produtos
e serviços que não apenas atendam ao enquadramento do
mesmo, como podemos agregar valor. Alguns alimentos, com
uma estratégia de marketing e um visual
(embalagem), criaram verdadeiras identidades com o
consumidor, agregando valor com o status e a segurança
na marca; outros produtos como roupas que atendem a
questão da segurança, se tornaram verdadeiras obras de
arte com sua marca, que são sinônimos de status nas
classes sociais. E ainda existe uma infinidade de outros
exemplos.
Buscamos reposicionar um
produto - que, a meu ver, não perdeu lugar - com
altos investimentos em marketing e em projetos
de venda, que demonstram o desespero que o setor passa e
por não encontrar respostas à atual situação do
mercado, que há muito tempo vem dando sinal de que iria
acontecer. Mas não paramos para perguntar quais
mudanças não foram feitas, ou melhor, não quisemos
fazer?
O setor como um todo é
muito individualista, como é em geral a cultura
brasileira. Enquanto em outros paises as dificuldades e
as oportunidades unem, aqui verificamos que cada qual
quer salvar seu queijo, e no fim não há para ninguém.
Atualmente não basta ser um bom administrador dos seus
negócios: é preciso ter competência em outras frentes
como gerenciamento de pessoas, inclusão de sistemas de
qualidade e atendimento diferenciado aos clientes.
Em uma economia
globalizada, e na questão setorial nacional, não é
possível mais ter apenas algumas boas empresas, mas sim
que todo o setor seja competente, pois o setor exporta e
não as empresas (como o Primeiro Setor no
Brasil vem dando exemplos com a soja, suco de
laranja e outros, equilibrando a balança comercial).
Algumas alterações a
serem tomadas pelo setor joalheiro já foram definidas
pelo cliente, porém como as empresas não estão
preparadas para escutá-los, identificando a jóia
como um produto - pois também não sabem vendê-lo,
continuam com o modelo de retirada de pedido ao invés de
agregar serviços necessários ao mercado muito mais que
propriamente só produto.
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