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JOALHERIA INDIANA (II)
Julieta Pedrosa*
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Talvez tenha sido durante o
Império Mughal (1526- 1761), o mais rico período da
história da joalheria indiana. Durante estes séculos,
ricos rajás adornavam-se com jóias nos turbantes, nas
orelhas, em volta dos pescoços, nas narinas e até entre
os dentes. Os objetos preciosos usados pelas mulheres
eram ainda mais numerosos. Por esta época, as jóias já
haviam adquirido significados especiais e nomenclatura em
conexão com as crenças religiosas e todo objeto de
adorno tinha um nome específico que indicava o seu
papel, como já citamos anteriormente. Para a cabeça,
eram usados diademas em ouro, broches grandes e pequenos
para ornamentar os cabelos, tiaras feitas de folhas de
ouro contendo uma estrela cravejada de gemas ao centro ou
de complicadas formas completadas com pendentes. Existiam
também variados outros ornamentos para a testa, as
orelhas, o nariz, o pescoço, a parte superior dos
braços, a cintura, os tornozelos e os dedos dos pés.
Uma extensa variedade de composições florais era
utilizada para os brincos, adornados com pérolas,
filigranas, rubis, diamantes, esmeraldas, safiras e
corais. Algumas mulheres furavam a narina esquerda para
utilizar uma jóia também nesta parte do corpo. Os
colares às vezes eram tão longos que iam abaixo do
umbigo e diferentes nomes eram utilizados para aqueles
que eram feitos com pérolas e os que eram somente de
ouro. Também eram nomeados segundo a quantidade de
voltas que podiam ter, possuindo às vezes várias
dezenas. Alguns colares eram feitos com combinações de
várias gemas, enquanto que outros eram combinações de
vários amuletos em ouro. Um exemplo típico de amuleto
hindu era o nauratan , feito de uma placa de ouro
adornada com nove gemas. Vários nauratans podiam
ser utilizados para formar um colar. Cintos em ouro e
cravejados de gemas seguiam as formas do corpo e
freqüentemente continham elementos extras que ligava-os
acima até o pescoço ou abaixo até braceletes que
contornavam as coxas femininas. Pulseiras nos tornozelos
eram também muitas vezes ligadas por finas e delicadas
correntes até os dedos dos pés. A joalheria continua a desempenhar
um importante papel nos costumes e na indústria da
Índia moderna, mas infelizmente a produção das jóias
atualmente não se compara, em termos de magnificência e
requintes de elaboração com aquelas do passado.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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