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A INFLUÊNCIA DE FABERGÉ
NA MAISON CARTIER

PARTE I

Julieta Pedrosa*


Em 1900, começa em Paris a Exposição Universal. Entre tantos pavilhões mostrando maravilhas de vários países ao redor do mundo, o pavilhão russo é um dos mais comentados pelo público. O "Mir iskusstva" (mundo da arte), movimento fundado na década de 1890 por Alexandre Benois, e que tinha por missão renovar a arte e a cultura russas e fazê-las conhecidas em todo o mundo, mostra seus frutos na capital francesa, ajudado pelas excelentes relações políticas e comerciais franco-russas de então. Serov, Diaghilev e Fabergé, dentre tantos outros expoentes da arte russa à época, participam deste movimento, sendo o joalheiro russo de todos o mais famoso. Na Inglaterra, a Princesa de Gales Alexandra, irmã da czarina da Rússia, introduz suas criações na alta sociedade londrina e a Exposição de 1900 consagra sua obra em Paris. Ao lado de criações mais recentes, Fabergé expõe 15 de seus famosos ovos de Páscoa, verdadeiras obras da arte da ourivesaria, feitos sob encomenda, durantes os anos de 1884 e 1898, para os czares Alexandre III e Nicolau II.

Para Louis Cartier, que visita a exposição em companhia de seu pai, a visão da arte do joalheiro russo o encanta e o impressiona, ao mesmo tempo. Conhecedor da fama de Fabergé é, no entanto, a primeira vez que pode constatar a que grau de perfeição chega a sua arte na ourivesaria. E é na ourivesaria, muito mais do que na joalheria, que Cartier vai buscar inspiração no trabalho de Fabergé, começando então uma concorrência entre as duas maisons. Numa época em que a decoração de interiores é luxuosa, o joalheiro russo é mestre. Suas peças esmaltadas são particularmente refinadas: seu método consiste em aplicar sobre uma base em ouro ou prata, previamente gravada com motivos geométricos, cinco ou seis cores de esmalte, escolhidas dentre de uma paleta com 140 nuances. Ao passar pelo calor, a superfície do objeto apresenta então uma brilhante aparência ondulante, criada pela gravura visível sob o esmalte transparente.

A partir de 1904, Louis Cartier encomenda à Yahr, fornecedor da Maison Ovchinikov em Moscou, vários objetos esmaltados: cigarreiras, molduras, pequenos espelhos e adornos para cintos, entre outros. Cartier jamais conseguiu, apesar de inúmeras tentativas, uma paleta de cores comparável àquela de Fabergé, mas criou novas combinações de cores, como o verde azulado e o verde violeta, desconhecidas do mestre russo.


*Julieta Pedrosa - carioca, arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da joalheria, é designer de jóias e professora de História da Joalheria e de Gemologia básica em Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail:
julieta@julietapedrosa.com.br
site:
www.julietapedrosa.com.br