A sensacional descoberta da
tumba do faraó Tutankamon - 18ª Dinastia, revelou os
fabulosos tesouros que acompanhavam o soberano egípcio
durante sua vida e após sua morte, assim como o alto
grau de excelência dos ourives egípcios. Este tesouro
está, desde a sua descoberta no início do século
passado, no Museu Egípcio do Cairo e representa a maior
coleção em objetos de ouro e jóias do mundo.O sarcófago onde fica a múmia
foi feito inteiramente em ouro e esta está coberta com
uma enorme quantidade de jóias. Muitas outras jóias
foram encontradas em caixas e baús em outras salas da
tumba. Os diademas, anéis, colares, peitorais, amuletos,
pendentes, braceletes e brincos são de uma qualidade
técnica e decorativa altíssimas, raramente igualadas na
história da joalheria.
Os
ornamentos encontrados na tumba de Tutankamon são
típicos e maravilhosos exemplares das jóias egípcias.
A perpetuação da iconografia e de princípios
cromáticos deu à joalheria do antigo Egito que
permaneceu longo tempo sem ser influenciada por outras
civilizações- uma magnífica e sólida homogeneidade,
enriquecida pelas mágicas crenças religiosas. A
ornamentação das jóias era grandemente composta por
símbolos que tinham nome e continham significados, sendo
uma forma de expressão muito estreitamente ligada à
simbologia da escrita hierográfica. O escaravelho, o nó
de Ísis, a flor de lótus, o olho de Horus, o falcão, a
serpente e a esfinge são todos motivos decorativos
carregados de simbologia religiosa. Na joalheria egípcia,
o uso do ouro é predominante e, em geral, é
decorativamente complementado pelo uso das gemas
corneliana, turquesa e lápis-lazúli ou por pastas
vítreas imitando-as. Apesar dos motivos decorativos
serem limitados na joalheria egípcia, os artesãos
criaram uma variedade imensa de composições, baseadas
numa estreita simetria ou, no caso das jóias montadas
por contas - feitas de gemas ou massa vítrea, numa
rítmica repetição de formas e cores.
Os colares feitos com
contas - geralmente de ouro, gemas ou cerâmica
vitrificada - são cilíndricos, esféricos ou na forma
de discos e foram praticamente sempre confeccionados
utilizando-se a alternância de cores e formas nos
vários fios que compõem os colares. Os colares podiam
ter duas formas distintas principais. Uma, chamada menat,
era exclusivamente atributo da divindade e só podia ser
usada por faraós. O menat de Tutankamon é um
colar composto de vários fios de contas em diferentes
tamanhos e cores, com um pendente e um fecho decorado,
usado atrás dos ombros. A outra forma era o usekh,
mais freqüentemente usado por todo o período do Antigo
Egito, e também com vários fios, mas de formato
semi-circular.
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*Julieta
Pedrosa - carioca,
arquiteta formada pela UFRJ, pós-graduada em Análise de
Projetos pela FGV, e com vários cursos em áreas da
joalheria, é designer de jóias e professora de
História da Joalheria e de Gemologia básica em
Brasília, DF, onde mora. Suas jóias exibidas em cidades
de Portugal, Espanha e na França, assim como no Rio de
Janeiro, São Paulo, Brasília e Hong Kong, privilegiam
as linhas curvas, a fauna e a flora brasileiras .
e-mail: julieta@julietapedrosa.com.br
site: www.julietapedrosa.com.br
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