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TECNOLOGIA E DESIGN

O DESENHO MÍNIMO


Patricio Alzamora *


abril / 2009

Com esta expressão, quero me referir ao mínimo esforço de esboçar qualquer projeto de joia, com o único intuito de pensar corretamente na construção da peça. Para isto, não há necessidade de se realizar um desenho ilustrativo ou técnico, porque é demorado e caro.

Errar a peça (por não ter considerado corretamente medidas, espessuras ou tamanho das pedras, etc.) produz enorme prejuízo em tempo, dinheiro e mão de obra. É inacreditavelmente comum que ourives passem dias trabalhando para ter como resultado uma peça que não funciona, que machuca o cliente, que não permite a cravação e assim por diante... Ao mesmo tempo, invariavelmente, isto acontece com pessoas que não esboçam, seja por preguiça, falta de confiança ou de interesse.

A primeira coisa que devemos considerar no desenho de um anel, por exemplo, é a medida em milímetros do aro; para isto disponibilizamos uma tabela de nossa autoria com a conversão das medidas da aneleira para diâmetro e circunferência em milímetros. Então nosso primeiro dever é saber o diâmetro do anel em milímetros, que vem a ser algo imutável. Também é assim com a medida da pedra que, para cumprir as leis de óptica que a tornam bela e refletiva, tem proporções absolutamente rígidas e todo designer ou ourives deveria conhecê-las.

Disponibilizamos, ainda, um diagrama de proporções do corte brilhante, que também é válido para as pedras de corte abrilhantado.

Seguindo este diagrama, sempre poderá ser deduzida a altura da pedra, (que pode ser arredondada para 60% do diâmetro da pedra, com a coroa sendo aproximadamente 15% e o pavilhão de 45%). Desta forma pode-se desenhar corretamente o espaço que a gema ocupará.

Equipamentos que facilitam o desenho: prancheta com régua paralela, mesa de luz, gabarito de plano cartesiano, transportador mecânico, compasso de escala e um exemplo de desenho feito por dobradura com auxílio da mesa de luz.

Primeiro desenhamos um plano cartesiano (forma de cruz no centro da página) que será nosso ponto de partida, desde o qual traçaremos as medidas ou formas que já conhecemos, como o círculo que representa o diâmetro do anel e a pedra com medidas e posição definidas. É conveniente anotar em um canto do desenho estas informações, pois é muito fácil esquecê-las.

Neste caso procuramos determinar a altura das garras, o espaçamento entre elas e impedir que a pedra toque o dedo, sendo também possível determinar o material necessário para construir esta peça.


Ainda melhor e mais rápido é  desenhar no computador, com algum software de prancheta eletrônica, CAD ou específico para joalheria.  Acima temos um exemplo de um anel feito a partir de um desenho realizado e planejado no PC.



*Patricio Alzamora - Chileno, artesão em metais desde os quatorze anos de idade, estudou antropologia, foi dono de fábrica e loja no Chile. Criou e iniciou os cursos de joalheria do SESC–Pompéia e da FAAP, foi professor no Sebrae, SESC e IED. Realizou palestras em Associações de Joalheiros e Feiras de Tecnologia para Joalheria, fazendo demonstrações de equipamentos (Foredom, 3M), além de assessorar tecnicamente fabricantes por todo Brasil. Atualmente cria e modela peças para designers, empresas e público em geral, além do ensino de design de joias e tecnologias utilizadas em joalheria em sua própria escola, o Atelier Alzamora.
Contato:
patricioalzamora@uol.com.br / www.atelieralzamora.com.br

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