Periodicamente, colocarei nesta coluna tabelas, fórmulas, gabaritos e apostilas criadas e utilizadas nas aulas que ministro. Atualmente, desenho, crio e produzo - mediante prototipagem ou manualmente - peças e coleções para a indústria de joalheria, designers e também grifes famosas, presto assessoria para empresas, além de lecionar em minha escola.
O objetivo desta coluna será tratar das tecnologias e métodos que auxiliam o criador ou designer a colocar em prática suas idéias. Falaremos sobre os métodos primitivos de trabalho e os recursos da mais moderna tecnologia. Sempre procuramos utilizar os melhores recursos que nos são disponibilizados, acumulando sistematicamente conhecimento, técnicas, métodos, fazendo uso de equipamentos e maquinários.
O conhecimento e os métodos de criação podem e devem ser sistematizados e há, efetivamente, técnicas que melhoram a capacidade de desenhar e criar. Serão justamente estes métodos e técnicas que abordaremos aqui.
A tecnologia e sua aplicação ao design
A tecnologia está intimamente ligada ao sucesso e à sobrevivência da espécie humana. Podemos entender a tecnologia como o conjunto do conhecimento e experiência acumulados, que sistematicamente organizado e fundamentado em análises práticas e científicas, nos permite modificar o meio que nos rodeia e usufruir dos recursos da natureza, para melhorar nossa qualidade de vida.
Inicialmente, dependíamos apenas do conhecimento artesão acumulado empiricamente, mediante tentativa e erro, que tornava os possuidores deste conhecimento poderosos e muitas vezes despóticos e insubstituíveis. Foi somente com a adoção de métodos de análise e experimentação sistemáticos (métodos científicos) que se tornou possível prever e compreender os resultados do trabalho e da experiência - assim como hoje o produtor consegue resolver problemas utilizando o controle dos dados do processo e experimentando modificar apenas uma variável por vez, medindo os resultados com instrumentos.

Sobre este tema, cito aqui a frase de Leonardo da Vinci: “quem se enamora da prática sem ciência é como um piloto que governa seu barco sem timão e sem bússola e que nunca saberá exatamente aonde vai”. Apenas o aprendizado, entendendo este como a repetição de técnicas ou métodos, não é suficiente para o verdadeiro criador ou designer, pois só a compreensão nos provê a capacidade de raciocinar, deduzir, resolver e não apenas repetir instruções como um autômato.
A descoberta da ferramenta
É conhecida a capacidade de alguns animais de manipular ferramentas como galhos e pedras, como no caso de chimpanzés para caçar cupins ou para pescar. No entanto, a capacidade de acumular conhecimento e experiência, além da compreensão da periodicidade dos fenômenos naturais, a noção de tempo e tantas outras características que não nos cabe tratar aqui, fez o homem compreender a necessidade de criar formas de garantir a sobrevivência dele e dos seus no futuro e de procurar os meios para isso.
Somos dotados de uma ferramenta quase perfeita: nossas próprias mãos. “É a mão que ensina a mente, não o contrário”, costumo falar aos meus alunos. A experimentação prática gera dúvidas que a análise racional e metódica converterá em conhecimento, em sua procura por respondê-las. Foi ao observar e compreender que podia interferir no seu meio, transformando-o, que nossos antepassados deduziram, por exemplo, que, se plantadas corretamente, as sementes das plantas germinavam, descobrindo assim, a agricultura.
É prevendo e sistematizando, utilizando a experiência acumulada e medindo os resultados de suas ações que se domina e cria a técnica. Eis aqui a grande diferença e vantagem comparativa que nós, como animais, possuímos em relação a outros seres, sejam estes fortes e poderosos. Essa é a melhor explicação de nosso “sucesso” evolutivo.